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terça-feira, 24 de maio de 2011

poder x autoridade

Exemplo de pai utilizando o poder:

- Por que eu não posso ir?
- Porque eu disse que não. Sou o seu pai.
- O que isso tem a ver?
- Tudo.
- Bem, eu vou de qualquer forma.
(O pai fica com raiva) - Estou te avisando. Se você for a essa festa, vai se meter numa grande enrascada.
- Ah, claro. O que você vai fazer?
- Espere e verá.

Exemplo de pai utilizando a autoridade:

- Por que eu não posso ir?
- Não acho que será seguro.
- Eu posso lidar com isso.
- Vai ter muita gente bebendo nesta festa. Provavelmente haverá drogas também. Eu não quero você lá.
- Eu vou estar bem. Não precisa se preocupar.
- Você não compreende. Eu confio em você. Esse não é o problema. Eu não confio é em algumas das outras crianças. Você não pode controlar o que eles vão fazer.
- Todo mundo vai à festa.
- Eu sei que você quer muito ir. Sei que vai ficar decepcionado.
- Eu quero ir.
- Sinto muito. Você não pode ir. Pode fazer outra coisa. Convide algumas crianças para vir aqui.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O que significa EDUCAR COM COERÊNCIA

"Durante meu primeiro verão trabalhando em casa com meninos, levei uma van cheia de crianças para acampar num fim de semana. Depois de viajarmos alguns quilômetros, Lamont começou a ficar impaciente. Dei-lhe um aviso. Depois de 80 quilômetros ele começou a implicar e a instigar os outros. Dei-lhe outro aviso. Ele estava piorando. Disse-lhe que se não parasse eu daria meia-volta e o levaria de volta para casa. Ele não acreditou em mim. Não pensou que eu iria até o fim. Ele não parou. Fiz o que disse. Dei meia-volta. Que choque. Primeiro ele parou de se comportar mal. Depois começou a implorar dizendo que se comportaria bem. "Muito tarde", eu disse. E ele voltou para casa.
Demorou duas horas para que levasse Lamont para casa e voltasse ao ponto onde tinha dado meia-volta. Essas foram as melhores duas horas que já gastei. Minha reputação para com Lamont e as outras crianças foi feita naquele dia. Não apenas o resto da viagem correu tranquilamente, como nos seis anos seguintes a história passou de criança para criança. "É melhor acreditar no que o Sr. Sal diz. Ele cumpre o que promete."

(do livro A Educação pelo Bom Exemplo de Sal Severe, Editora Campus)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Ninguém pode acusar as crianças de serem monótonas

"Anthony tinha quase três anos quando minha mulher ficou grávida. Sabíamos que era importantíssimo prepará-lo para a chegada do bebê. Queríamos evitar as terríveis manifestações de rivalidade. Lemos o livro Berenstain Bears New Baby dezenas de vezes. Fizemos tudo que se pode imaginar para que ele sentisse que nosso bebê seria também dele. À medida que a barriga da mãe crescia, Anthony mantinha uma boneca presa por baixo de sua camiseta.
Anthony ficou fascinado com o nascimento de Leah. Ele estava tão entusiasmado. Quase todos que davam presentes para Leah levavam para ele também. Era como se fosse Natal em maio. Ele adorou sua irmã, apesar de ter reparado que ela não tinha nenhum dente. Tudo caminhava como tínhamos planejado.
No sexto dia de Leah em casa, aconteceu. Anthony pulou fora da banheira. Seu rosto rosado cheirava a sabonete e talco. Ele perguntou se podia comer uma maçã. Eu disse que sim, claro. Ele apareceu alguns momentos mais tarde. Colocou uma mão por trás da minha cadeira enquanto segurava a maçã com a outra.
- Pai, acho que estou encrencado.
- Por que? - perguntei.
- Bom, quando estava pegando a maçã, sem querer, fiz xixi na geladeira.
- É mesmo. - Eu disse. - Você está encrencado."

(trecho do livro A Educação pelo Bom Exemplo, de Sal Severe, Editora Campus)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Pais x Filhos

Constatação: somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos pais. E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais bobos e inseguros que já houve na história.

O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e poderosas do que nunca. Parece que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ter, passamos de um extremo ao outro.

Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos. Os últimos que tiveram medo dos pais e os primeiros que temem os filhos. Os últimos que cresceram sob o mando dos pais e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E o que é pior, os últimos que respeitaram os pais e os primeiros que aceitam que os filhos lhes faltem com o respeito.

À medida que o permissivo substituiu o autoritarismo, os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal. Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam as suas ordens e os tratavam com o devido respeito. E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais. Mas, à medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, e, ainda que pouco, os respeitem. E são os filhos quem, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, os patrocinem no que necessitarem para tal fim. Quer dizer, os papéis se inverteram, e agora são os pais quem têm de agradar a seus filhos para ganhá-los e não o inverso, como no passado. Isto explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "tudo dar" a seus filhos.

Dizem que os extremos se atraem. Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.

Os filhos precisam perceber que, durante a infância, estamos à frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeitá-los quando não os podemos conter e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão. Se o autoritarismo suplanta, a permissividade sufoca. Apenas uma atitude firme e respeitosa lhes permitirá confiar em nossa idoneidade para governar suas vidas enquanto forem menores, porque vamos à frente liderando-os e não atrás, os carregando e rendidos à sua vontade. É assim que evitaremos o afogamento das novas gerações no descontrole e tédio no qual está afundando uma sociedade que parece ir à deriva, sem parâmetros nem destino.

Os limites abrigam o indivíduo, com amor ilimitado e profundo respeito. "Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos". Mônica Monasterio (Madri-Espanha)